
Exemplo de ensaio: 600 km de autoestrada numa berlina elétrica
Um artigo de exemplo para mostrar o formato dos ensaios da Volts: o carro e os números são fictícios.
Ilustração Volts
Introdução
Introdução
Há carros que se percebem nos primeiros cem metros. Este precisa de cem quilómetros. É na autoestrada, de madrugada, com o cruise control a 120 e o silêncio a encher o habitáculo, que a berlina mostra para que foi feita.
Custa a partir de 52 000 euros, tem uma bateria de cerca de 73 kWh úteis e chega numa altura em que os SUV dominam tudo. É uma aposta na eficiência da forma, e não no tamanho.
Em resumoUma berlina para quem faz muita autoestrada e não quer pensar no carregamento.
Design e interior
Baixa, longa e sem exageros
A linha de tejadilho desce cedo e termina numa traseira curta, o desenho clássico de quem quer cortar o ar. Por dentro, os materiais nos pontos de contacto são bons e o banco do condutor permite uma posição baixa, quase desportiva.
Atrás, o espaço para as pernas é generoso, mas a altura ao tejadilho penaliza quem passa de 1,80 m. A bagageira tem bom volume e uma boca de carga estreita.
Tecnologia
Tecnologia
O ecrã central responde depressa e o Android Auto liga sem fios à primeira. O problema é o que foi lá parar: a climatização vive exclusivamente no ecrã, e ajustar a temperatura a 120 km/h obriga a tirar os olhos da estrada mais tempo do que devia.
Num carro tão bem resolvido, esconder a climatização no ecrã é uma decisão difícil de defender.
Em resumoO sistema é rápido, mas obriga a ir ao ecrã para coisas que deviam ter um botão.
Ao volante
Silêncio a 120 km/h
A direção tem um peso natural, sem a leveza artificial que tantos elétricos ainda insistem em ter. A suspensão filtra bem as juntas de dilatação e mantém a carroçaria composta nas curvas rápidas da A2.
A 120 km/h, o maior ruído a bordo é o do pisca.
A regeneração tem quatro níveis nas patilhas do volante. No mais forte, quase dispensa o travão na cidade.
Autonomia e carregamento
Autonomia e carregamento
Fizemos 600 km entre Lisboa e o Algarve, ida e volta, sempre a 120 km/h constantes quando o trânsito deixou. O consumo médio ficou nos 18,6 kWh/100 km, o que dá cerca de 395 km de autonomia real em autoestrada.
No carregador rápido, a potência manteve-se alta até perto dos 70% e os 10-80% fizeram-se em 21 minutos. Mais abaixo, pode experimentar a sua própria viagem com estes números.
Em resumoPerto de 400 km reais em autoestrada e paragens curtas: um Lisboa-Porto sem parar.
O veredito
Rápida a carregar e silenciosa a 120 km/h, mas com uma ergonomia que esconde demasiado nos ecrãs.
Gostámos
- Curva de carregamento estável até aos 70%
- Insonorização ao nível de carros bem mais caros
- Direção precisa e com peso natural
Nem tanto
- Comandos da climatização só no ecrã
- Bagageira com boca estreita
Condições do ensaio: Exemplo fictício. 17 °C, piso seco, dois ocupantes, pneus de origem.
