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Tecnologia

800 volts: o que muda, de facto

É uma das especificações mais repetidas nos lançamentos. Explicamos o que ganha com o dobro da tensão, o que não ganha e porque é que nem todos os carros vão lá chegar.

2 min de leitura
Módulos de bateria em grelha, com uma linha de corrente verde a atravessá-los.
Ilustração Volts

Durante anos, quase todos os elétricos usaram uma arquitetura de cerca de 400 volts. Em 2019, o Porsche Taycan trouxe os 800 volts para a estrada, e pouco depois a Hyundai e a Kia levaram a mesma ideia para carros bem mais acessíveis, como o Ioniq 5 e o EV6.

Hoje, "800 volts" aparece em quase todas as fichas técnicas de gama média e alta. Mas o que muda, de facto, para quem conduz?

A conta de base

A potência elétrica é o produto da tensão pela corrente. Para carregar a 200 kW, um carro de 400 volts precisa de 500 amperes. Um carro de 800 volts precisa de apenas 250.

E é aí que está o segredo: as perdas em calor nos cabos crescem com o quadrado da corrente. Metade da corrente significa um quarto do calor.

A corrente necessária para a mesma potência
½
O calor perdido nos cabos
¼

O que ganha

  • Carregamento mais rápido e mais constante. Com menos calor para gerir, a bateria aguenta potências altas durante mais tempo. Os melhores carros de 800 volts fazem 10-80% em menos de 20 minutos.
  • Cabos mais finos e leves. Menos cobre, menos peso e menos custo para a mesma potência.
  • Motores mais compactos. Uma tensão mais alta permite motores elétricos mais pequenos para a mesma potência.

O que não ganha

A autonomia não aumenta só por causa dos 800 volts. O ganho de eficiência na condução existe, mas é pequeno. O que faz a diferença na viagem é o tempo de carregamento.

E há um pormenor importante: a maioria dos carregadores rápidos antigos funciona a 400 volts ou pouco mais. Nesses postos, um carro de 800 volts precisa de converter a tensão, e alguns modelos carregam mais devagar do que um bom carro de 400 volts.

Os 800 volts não levam o carro mais longe. Levam-no mais depressa de volta à estrada.

Vai chegar a todos os carros?

Provavelmente não. Para um citadino com uma bateria de 40 kWh, que carrega sobretudo em casa, o custo extra dos componentes de alta tensão não compensa. Os 800 volts fazem sentido onde as viagens longas e o carregamento rápido pesam mais na decisão: nos familiares, nas berlinas e nos SUV de gama média e alta.

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