Saltar para o conteúdo
VoltsBlog

Rascunho: este artigo ainda não aparece no site público.

Tecnologia

Porque é que o consumo dispara a 120 km/h

Entre os 90 e os 120 km/h, o carro anda um terço mais depressa, mas gasta quase metade mais energia por quilómetro. A culpa é do ar, e a física não perdoa.

3 min de leitura
Silhueta de um crossover elétrico desenhada a luz verde, rodeada de rastos de luz horizontais.
Ilustração Volts

Quem passa de um carro a combustão para um elétrico descobre depressa uma coisa que o conta-quilómetros nunca lhe tinha mostrado com tanta clareza: a velocidade custa caro. Na cidade, o elétrico parece não gastar nada. Na autoestrada, a autonomia encolhe à vista.

Não é defeito do carro elétrico. É física, e afeta todos os carros. A diferença é que o motor elétrico é tão eficiente que deixa o problema a nu.

O ar é uma parede

Um carro em movimento luta contra duas forças principais. A primeira é a resistência ao rolamento, dos pneus no asfalto, que é praticamente igual a qualquer velocidade. A segunda é a resistência aerodinâmica, e essa cresce com o quadrado da velocidade.

Na prática, isto quer dizer que passar de 90 para 120 km/h não aumenta a resistência do ar em 33%, que é o aumento da velocidade. Aumenta em 78%.

Mais velocidade, de 90 para 120 km/h
+33%
Mais resistência do ar
+78%
Mais energia por quilómetro, num carro típico
+43%

As contas, com um carro típico

Pegue-se num elétrico médio: cerca de duas toneladas, uma área frontal de 2,4 m² e um coeficiente aerodinâmico de 0,25. A 90 km/h, o ar empurra-o para trás com cerca de 225 newtons, e os pneus com perto de 180. A 120 km/h, os pneus continuam nos 180, mas o ar já vai nos 400.

Somando tudo, a força total passa de cerca de 400 para quase 580 newtons. Como a energia gasta por quilómetro é proporcional a essa força, o consumo sobe na mesma proporção: mais 43%, só por andar 30 km/h mais depressa.

A 120 km/h, cerca de dois terços da força que o carro tem de vencer vem do ar.

Porque é que o elétrico sofre mais

Um motor a combustão desperdiça cerca de dois terços da energia do combustível em calor, a qualquer velocidade. Esse desperdício enorme e constante disfarça o efeito da aerodinâmica: a diferença entre cidade e autoestrada existe, mas parece menor.

O motor elétrico converte em movimento mais de 85% da energia da bateria. Sem esse desperdício a esconder o resto, o que sobra é a física, e a física diz que a velocidade é cara. Por isso, ao contrário de um carro a gasóleo, um elétrico gasta menos na cidade do que na autoestrada.

O que pode fazer

  • Baixar 10 km/h. De 120 para 110 km/h, a resistência do ar desce cerca de 16%. Numa viagem longa, pode poupar uma paragem para carregar e chegar praticamente à mesma hora.
  • Tirar o que não precisa. Uma caixa de tejadilho pode aumentar o consumo em autoestrada em 10% a 20%.
  • Calibrar os pneus. Pneus com pouca pressão aumentam a resistência ao rolamento sem que dê por isso.
  • Pré-aquecer ligado à corrente. No inverno, aquecer o habitáculo e a bateria antes de sair usa a energia da tomada e não a da viagem.

A boa notícia é que nada disto tira o prazer de conduzir. Só obriga a conhecer a máquina. E conhecer a máquina sempre fez parte da diversão.

Continuar a ler.

Módulos de bateria em grelha, com uma linha de corrente verde a atravessá-los.

Tecnologia

800 volts: o que muda, de facto

É uma das especificações mais repetidas nos lançamentos. Explicamos o que ganha com o dobro da tensão, o que não ganha e porque é que nem todos os carros vão lá chegar.

· 2 min