A curva de carregamento, explicada sem fórmulas
Porque é que o carro carrega depressa até aos 80% e depois parece parar. E porque é que o número que interessa não é a potência máxima.

A potência máxima de carregamento é a especificação mais citada e, ao mesmo tempo, a menos útil. Um carro que anuncia 250 kW pode passar só alguns minutos perto desse valor. Outro, com um pico de 180 kW, pode chegar primeiro aos 80%.
O que conta é a forma da curva.
Encher um copo de água
Pense em encher um copo com uma garrafa. Ao início, despeja depressa. Perto do topo, abranda para não entornar.
A bateria faz o mesmo. Com pouca carga, aceita corrente muito alta. À medida que as células se aproximam da tensão máxima, o carro reduz a corrente para não as danificar. É por isso que a potência desce, primeiro devagar, depois de forma clara a partir dos 70 ou 80%.
Os últimos 20% demoram quase tanto como os primeiros 60.
Porque falamos sempre em 10-80%
Os 10-80% são o intervalo onde a curva é útil. Abaixo dos 10%, ninguém gosta de chegar. Acima dos 80%, a potência cai tanto que, numa viagem, compensa mais parar duas vezes 15 minutos do que uma vez 45.
- O intervalo que comparamos em todos os ensaios
- 10-80%
- O que um bom carro de 800 V demora nesse intervalo
- ≈20min
O que mais influencia a curva
- A temperatura da bateria. Fria, aceita muito menos potência. É por isso que o pré-condicionamento antes de carregar faz tanta diferença no inverno.
- O carregador. Um posto de 50 kW limita qualquer carro a 50 kW, por melhor que seja a curva.
- A química da bateria. As baterias LFP toleram melhor cargas até aos 100% e mantêm a potência mais estável, mas costumam ter picos mais baixos.


